quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Organização de um Romance



QUALIDADES FUNDAMENTAIS

O romance é uma mistura, um condensado de ficção e realidade. Estes dois critérios devem modelar-se e articular-se de maneira equilibrada. A coesão, a força do romance, provém tanto das qualidades de imaginação quanto da análise dos fatos reais do autor.

Imaginação é a capacidade de criar, de fundir, de construir uma realidade fictícia, fora da realidade cotidiana. Um mundo único. Escrever é dar nascimento a um ser interior, particular, que a gente porta (à nossa revelia às vezes). Para tanto, deve-se escolher uma ou mais existências que sejam modelos (ou o contrário se trabalhar com personagem anti-herói). É preciso dar originalidade, personalidade, características aos personagens. Deve-se modelar, “fazer sua própria criatura” segundo seus gostos. O autor é “O Criador”. Escolher um contexto espaço-temporal que vá contribuir para a criação de um mundo particular, individual, para o qual seja transportado o leitor, fazendo-o viajar.

Análise, pressupõe autoanálise, na qual se deve interrogar-se sobre seus próprios sentimentos, sua maneira de viver, de sentir as coisas. É necessário analisar sua relação pessoal com o mundo e com os outros (no passado, no presente e no futuro). Qual é a evolução individual dos personagens no que se refere a sexo, idade, sociedade, lugares onde vive, etc.

Análise objetiva da existência: viver, amar, sofrer, morrer. Interrogar-se sobre o sentido da existência humana (fora de todo contexto de sexo ou idade).

Analise dos fatos históricos, sociais, etc., segundo a época e o lugar escolhido: é indispensável respeitar um mínimo de autenticidade (não hesitar na utilização de documentos caso necessário, os quais podem ser encontrados numa biblioteca ou em revistas especializadas).


O ROMANCE PROPRIAMENTE DITO

Tendo sido compreendido, então, o romance, seu romance, é único. Ele constitui um mundo que o autor escolheu, eleito, para levar o leitor até ele, ao sabor dos desejos do autor, de seus desgostos e de suas revoltas.

A principal preocupação de todo escritor é de tentar estar dentro de seus leitores, de conseguir penetrar neles, na sua intimidade, na sua existência, nos seus sonhos. É importante criar um lugar dentro dos leitores e, talvez, de se lhes tornar um recurso, um socorro, uma presença constante.

Assim, o romance deve sempre oscilar entre a ficção e a realidade. Deve não apenas fazer o leitor sonhar, mas também fazê-lo refletir. Ficção-realidade, mas fazendo sonhar, “criar um mundo fora deste mundo” (Baudelaire). Deve-se prender a atenção do leitor através de elementos verdadeiros e autênticos, não deixando-o perder-se dentro de um labirinto louco.

OS MEIOS

Deve-se escolher traços fora do comum com originalidade. É preciso desenvolver a personalidade do personagem ao máximo. Preocupar-se com realismo, para o qual se deve pesquisar detalhes e fatos de acordo com a época e o lugar escolhido.

PERSONAGENS

O herói ou anti-herói deve apresentar originalidade: Ele deve ser um modelo, suscitar a admiração ou o desgosto, o amor ou o ódio. É preciso provocar uma reação forte no íntimo do leitor face ao herói. O personagem deve ter certa proximidade com o leitor. Para que o leitor se identifique com o personagem, deve haver características comuns e gerais, próprias de todo ser humano (amor, sensibilidade, etc.).

OS PONTOS ESTRATÉGICOS

O INÍCIO

São frequentemente as primeiras linhas da obra que vão determinar ao leitor a continuidade ou não de sua leitura e, em definitivo, a compra ou não o romance. Assim, sua reação deve ser imediata, profunda e sincera. Ele deve ser diretamente impulsionado, mergulhado dentro do mundo criado pelo autor, descobrindo algo de novo, inédito e intenso que lhe dê vontade de saber o que vai ainda acontecer.

Deve-se criar repentinamente uma situação precisa (tempo, espaço), pondo em cena um ou mais personagens motivadores, intrigantes, os quais façam amar ou odiar (ou, ainda, que sejam violentos, desprezados...). Situar o problema que está em jogo: Por quê? Quem? Como? Onde? Criar um nó, um paradoxo, alguma coisa que provoque o espanto ou a surpresa, e até a perplexidade do leitor. Em conclusão, as primeiras páginas são um ataque direto, um soco (para não dizer uma porrada) no sistema estável, na ordem instituída das coisas. Deve-se, no início, escrever, digitar, “fortemente”, para ser temido, ser respeitado, ser lido...

O DESENVOVIMENTO (A INTRIGA)

Escrever é, primeiramente, seduzir. Fazer-se desejar, esperar e, enfim, ser amado (ou odiado) pelo leitor, são os objetivos do escritor. Se o início do romance deve tocar por sua força, suas imagens (etc.), a sequência deve ligar-se ao leitor, fazê-lo prisoneiro. Ao criar uma intriga, deve-se fazer o leitor viajar por uma região desconhecida, perigosa, desestabilizadora, um “no man's land”, reservando efeitos surpresas, choques inesperados (situações concretas ou psicológicas).

A crise no romance encarna um problema, um dilema, algo insustentável, indizível. Essa crise, é o autor que deve apresentá-la, sustentá-la, dizê-la, comprometendo o leitor, o qual deve ser tocado e, pouco a pouco, ligado ao romance até se tornar prisioneiro dele.

O leitor deve ser adulado, por sentimentos que ele já experimentou, como o amor, a dor, etc., os quais ele reencontra no herói ou noutro personagem. Mas não se deve hesitar tampouco em chocá-lo, em lhe fazer mal, pela invocação de imagens ou fatos, os quais sejam reais ou inventados.

O ESTILO

Sua maneira de escrever contribui igualmente para fazê-lo ser amado ou não pelo leitor. Mas, acima de tudo, deve-se criar uma atmosfera particular, um ambiente, brincando com todos os registros sensitivos e psicológicos.

Sensitivos: Imagens visíveis, luminosas, fortes. Diálogos vivos, quase audíveis. Sensações físicas precisas, de modo que possam ser experimentadas quase que diretamente.

Psicologia: Escolha do ritmo, o qual pode ser lento, extenso, para fazer durar o prazer ou o sofrimento, ou, ainda, um ritmo vivo, rápido, para provocar, fazer o leitor ler até o fim, ter sede, dar-lhe desejo.

O FINAL

No fim do romance pouco importa se tudo termina bem ou mal. O principal é fazer definitivamente o leitor “saltar” de sua poltrona. Deve-se tornar o leitor dependente, isto é, fiel ao autor. Um fim deve ser inesperado, quer seja a felicidade, quer seja o sofrimento. Como o início, o fim deve tocar o leitor, golpeando-o ou, ao contrário, levando-o ao sétimo céu. Em resumo, deve-se fazer o leitor provar do inferno ou do céu criado pelo autor.


Fonte: http://portalliteral.terra.com.br/artigos/romance-estrutura-e-estrategias

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Chapeuzinho Vermelho


Texto Emiliano Urbim


Versão consagrada - A pedido da mãe, uma menina deve atravessar um matinho sinistro pra levar comida até a casa da vó doente. No caminho, Chapeuzinho é abordada por um lobo, que lhe indica um desvio longo enquanto pega um atalho até a casa da velhinha e a devora sem dó. Chegando lá, Chapeuzinho trava um diálogo recheado de duplos sentidos e também é comida. Eis que um caçador salva o dia, tirando avó e neta da barriga do lobo.

Outra história - Na versão compilada por Perrault em 1697, a menina e a velhinha morriam. Foram os Grimm, que, 160 anos depois, tiraram o caçador do chapéu. O final varia, mas mantém-se o sugestivo diálogo que começa com “pra que esses olhos tão grandes?” e termina com “pra te comer melhor!” Existe uma versão anterior à tradicional, que inclui canibalismo (a menina bebe o sangue e come a carne da avó), strip-tease e até sugestão de golden shower. Sim, o lobo pede que a menina urine sobre ele.

Interpretação - Uma questão recorrente é por que Chapeuzinho dá trela ao lobo? “Ela é uma criança com a ingenuidade de quem não sabe sobre o sexo. Ela pode não saber que jogo está sendo jogado, mas é inegável seu interesse em participar”, escrevem os autores de Fadas no Divã. Esse caminho interpretativo leva ao campo minado da sexualidade infantil. Segundo Freud, nossas primeiras experiências sexuais são encobertas por uma espécie de amnésia que vai até os 6 ou 8 anos. A história teria sobrevivido por usar símbolos que nos fazem pensar nessa questão. Ou seja: o conto não fala apenas sobre o perigo do desconhecido, mas sobre a perda da inocência.

Para maiores - No sexo, há adultos que agem como uma menina diante de um lobo. “Quando a vida lhes impõe um papel sexual, vão oferecer o que têm: sua ingenuidade. Ser uma assustada Chapeuzinho é até onde vai a sexualidade de quem não quer saber nada do assunto”, escreve o casal Corso.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Harry Potter X Senhor dos Anéis


A verdadeira moral da história


O segredo do sucesso dos contos de fadas é o seu poder de estimular nosso inconsciente. Entenda as entrelinhas psicológicas dos clássicos que mexem com crianças e adultos. Ganhei o livro citado neste texto: "Fadas no Divã"e adorei a leitura. Recomendo a pais e educadores.

Texto: Emiliano Urbim

Era uma vez uma aldeia onde os moradores passavam as noites contando e ouvindo histórias. As preferidas eram aquelas com enredos fabulosos, mas que despertavam sensações reais, confusas, secretas. Ao redor do fogo circulavam contos sobre bruxas e princesas, belas e feras, meninas e lobos, onde sobravam fome, medo, vingança e morte. E ao final, nem sempre feliz, alguém sempre pedia: “Conte outra vez”.

Em aldeias como essa, de histórias como essas, surgiram os contos de fadas (batizados por uma senhorinha francesa insensível ao fato de que a maioria nem fada têm). Os originais medievais eram destinados a ouvintes de todas as idades, mas, uma vez eleitos favoritos da infância burguesa, foram sendo sucessivamente amenizados até chegarem às atuais versões “censura livre”.

Essas narrativas são um patrimônio abstrato da humanidade, passado adiante via voz, livros, rádio, TV, internet – e, para quem está na faixa dos 30, vinis coloridos. “Isso é absolutamente surpreendente num mundo cada vez mais mutante”, afirma o casal Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso no livro Fadas no Divã, onde fazem uma análise psicológica das histórias infantis. “Como esses restos do passado vieram parar nas mãos da crianças de hoje?”, perguntam os psicanalistas.

Nos anos 70, o austríaco Bruno Bettelheim emplacou a tese de que os contos que sobreviveram são aqueles que mais mexem com o inconsciente de narradores e ouvintes. Uma seleção natural favoreceu as histórias que reverberam na mente, que trazem nas entrelinhas questões emocionais, sexuais, familiares, universais. 

“No conto de fadas, o paciente encontra soluções analisando as partes da história que dizem respeito a seus conflitos”, escreve em A Psicanálise dos Contos de Fadas. Preservamos a história de Chapeuzinho não porque ela ensina a ter cuidado com estranhos, mas pelos sentimentos estranhos que ela provoca.

Nas próximas postagens, mostramos que a interpretação de clássicos como Branca de Neve, Patinho Feio e Cinderela pode ser reveladora, tanto para quem já perdeu o medo do lobo quanto para quem ainda espera pelo príncipe encantado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Selo



VejaBlog

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Ruth Rocha: “É muito bom escrever para crianças”


Livros de idéias

Há vida inteligente no mundo dos best sellers mundiais
Texto: Alexandre Versignassi

Estes livros costumam ficar nas prateleiras de negócios ou de administração. As editoras costumam vendê-los como se fossem manuais para executivos. Alguns têm cara de auto-ajuda. Mas não. É só uma roupagem marketeira para livros que juntam sociologia, psicologia, economia, mexem bem e adicionam a pretensão de explicar o mundo da economia a gosto. Eles invadiram as livrarias nos últimos anos. Vendem muito bem, obrigado. Mas não são fáceis de decifrar – seus títulos bacaninhas não ajudam: Freakonomics parece nome de filme de terror; O Cisne Negro, de romance policial; e A Cauda Longa, então? Parece... deixa pra lá! Para facilitar as coisas, o jornalista Malcom Gladwell, um dos autores pioneiros desse tipo de livro, inventou uma classificação nova, e, claro, pretensiosa, para eles: “livros de grandes idéias”. Agora, para facilitar mais ainda, montamos este guia aqui, que mostra qual é, afinal de contas, a grande idéia por trás de cada obra. E tivemos uma “grande idéia” também: organizar nossa prateleira de um jeito mais ou menos pretensioso. Boa leitura!

Blink (Malcom Gladwell, 2005).
A idéia: Tomamos decisões inconscientes o tempo todo. Alguns sabem tirar proveito disso, como especialistas em obras de arte que reconhecem uma falsificação quase perfeita num piscar de olhos, sem pensar. Outros não. É o caso dos empresários que, sem saber, só contratam sujeitos altos como executivos. Gladwell mostra: cada 3 centímetros a mais na altura valem quase US$ 1 000 a mais de salário anual nos EUA.

Freakonomics (Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner, 2005)
A idéia: O senso comum está errado. Os autores defendem que a legalização do aborto nos EUA, em 1973, foi o que reduziu a criminalidade, que as piscinas são mais perigosas para as crianças do que armas de fogo, que professores trapaceiam mais do que alunos nas avaliações... Ufa! Isso e mais umas dezenas de “impropérios”. Tudo sem o menor sensacionalismo, com precisão acadêmica.

The Black Swan (inédito em português, Nassim Taleb, 2007)
A idéia: O que faz o mundo girar são as coisas improváveis – seja um Adolf Hitler, seja um 11 de Setembro ou alguma empresa que descubra uma mina de ouro no nada, como a Microsoft. Até aí, nada de novo. Mas Taleb mostra que somos viciados em achar que o imprevisível não existe, que tudo é quadradinho, com causas e conseqüências claras – e que por isso os livros do tipo “Como ficar milionário em 10 passos” pode transformar seus autores, nunca seus leitores, em milionários.

O Ponto de Desequilí¬brio (M. Gladwell, 2000)
A idéia: Fenômenos sociais começam de surpresa. Por exemplo: Gladwell defende que a redução dos crimes em Nova York, que caíram pela metade nos anos 90, teve início em algo banal: o combate à pichação no metrô. Isso teria mostrado que as autoridades não estavam para brincadeira, começando uma bola-de-neve que arrasou os crimes – uma proposta menos radical que a do Freakonomics, mas tão atraente quanto.

O Mundo é Plano (Thomas Friedman)
A idéia: As pessoas são as novas multinacionais. Engenheiros russos projetam aviões para a americana Boeing direto de Moscou; contadores da Índia fazem o imposto de renda para quem mora nos EUA; o callcenter que atende suas ligações pode estar em qualquer parte do mundo. Um mundo agora “plano”, em que a distância física virou coisa do passado. Tanto que o faturamento saltou de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões.

Idéias que Colam (Chip Heath e Dan Heath, 2007)
A idéia: Se alguém disser que um saco de pipoca tem 37 gramas de gordura saturada você se lembraria depois de um mês? E se falarem que ele tem tanta gordura quanto um monte de bacon, um Big Mac com fritas e um bifão – tudo junto? Desse jeito a idéia gruda. Os Heath, enfim, dissecam os mecanismos que permitem isso. E concluem: as idéis que colam são as mais simples e inesperadas.

A Cauda Longa (Chris Anderson, 2006)
A idéia: Agora menos é mais. Chris Anderson decreta o fim dos hits de consumo: agora que qualquer livro, música ou vídeo está a dois cliques, o que não falta é opção de escolha. E aquilo de quase todo mundo ler, ouvir e assistir as mesmas coisas está acabando aos poucos. Para quem duvida, ele mostra dados surpreendentes para provar. Como este: um terço das vendas da Amazon são de livros que não aparecem nem entre os 100 mil mais vendidos.

A Sabedoria das Multidões (James Surowiecki, 2004)
A idéia: Vamos lá: se você perguntar a 100 idiotas quantas balas existem num saquinho, o número médio entre as respostas será mais acurado que o palpite de um especialista em saquinhos de bala. Com base em experimentos assim, que realmente aconteceram, Surowiecki conclui que grupos de pessoas são mais inteligentes do que indivíduos.

Wikinomics (Don Tapscott e A. D. Williams, 2007)
A idéia: O estilo wiki, a coisa de dividir trabalhos entre milhares de colaboradores online, não serve só para a Wikipedia. Mas para tudo. A mineradora canadense Goldcorp que o diga. Ela colocou seus estudos geológicos na rede. Então pagou por dicas de profissionais do mundo todo sobre onde encontrar mais minérios. A produtividade bombou. E o faturamento cresceu 9 000%.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Decepção

Por que as pessoas que mais amamos são as que mais nos decepcionam? Talvez seja a ilusão de que só porque são nossos amados, estão isentos de cometerem erros, ou se enganarem. E por mais que seja doloroso, é preciso entender que amar alguém profundamente, não significa ser correspondido.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Voltei...

Depois de tanto tempo sumida... Desculpas aos leitores e seguidores do Cantinho... Minha vida deu algumas cambalhotas nesses últimos meses, mas entre mortos e feridos todos sobreviveram, rsrsrs... retornarei com as potasgens a medida do possível...

Conto

Partilho cpm vocês um conto que criei utilizando um dos personagens do nosso folclore... fiquem à vontade para comentar. Público Alvo: Infantil - 05 a 08 anos.


O Curupira e a Vaca
Certa vez um velho caipira e seu neto de seis anos estavam no ponto de ônibus, esperando pela condução trazendo consigo uma grande vaca malhada.

Quando o ônibus parou para o embarque o motorista avisou:

-Sinto muito senhor, mas não é permitida a entrada de animais.

-Tudo bem – respondeu o caipira fazendo embarcar seu neto – o senhor espere um bocadinho que eu amarro o bicho no para-choque do ônibus.

Muito surpreso o motorista perguntou:

-Mas o senhor acha que a vaca vai conseguir acompanhar o veículo?

-Vai sim – respondeu o caipira confiante – ela foi batizada pelo Curupira.

O outro fez cara de “Eu não acredito, mas você é quem sabe” e não fez objeção. O caipira então amarrou a vaca atrás do ônibus, embarcou e o motorista prosseguiu viagem.

Uma menina, que também viajava no ônibus e que aparentava ter a mesma idade do neto do caipira, sentou-se ao lado dele disse-lhe:

-Seu avô fez uma maldade com aquela vaca. Logo ela não vai conseguir agüentar e será arrastada na estrada até morrer.

-Não se preocupe – respondeu o garoto – a Malhada foi batizada pelo Curupira e consegue correr bem rápido, por muito tempo, uma longa distância.

O motorista escutou a conversa das crianças e espiou pelo retrovisor para ver como a vaca ia acompanhando o ônibus. E ela estava lá, firme e forte.

Nisso a garotinha perguntou ao neto do caipira:

-Quem é o Curupira?

-Você não sabe? – perguntou o garoto muito admirado – É um moleque um pouco maior do que eu, com cabelos de fogo, dentes verdes, pés com os calcanhares para frente e dedos virados para trás. Vive nas matas e protege os bichos e as árvores de homens perversos que querem fazer mal aos habitantes da floresta. Como seus pés são invertidos suas pegadas enganam os caçadores que pensam que ele está longe, quando na verdade está bem próximo.

-E como o Curupira batizou a vaca? – perguntou a menina com curiosidade.

-Ah, meu avô conta que ela, certa vez, soltou-se da corda e se embrenhou no mato. - respondeu o garoto baixando o tom de voz a um sussurro - Ele foi atrás dela, seguiu seu rastro pela floresta até que a encontrou. E sabe o que ele viu?

-O que? – perguntou ela ansiosa.

-O Curupira montado nas costas da bicha e ela correndo tão rápido que meu avô quase caiu pra trás de susto! Ele só teve tempo de gritar: “Ei, essa vaca é minha!”

Quando o Curupira ouviu isso desapareceu das costas da Malhada, mas meu avô teve um trabalho danado pra alcançá-la. Desde então ela virou uma “vaca corredora”, pois o Curupira, que protege todos os animais, batizou-a com essa habilidade.

O motorista, que não pôde evitar ouvir a conversa das crianças, pensou:

“Vaca corredora é? Vamos descobrir”

Ele então aumentou a velocidade do ônibus para 100 km por hora. Depois de uns minutos olhou pelo retrovisor e viu que a vaca continuava acompanhando a corrida. Aumentou para 150 km por hora. E espiou de novo depois de alguns minutos. Mas a vaca continuava agüentando. Ele então acelerou para 200 km por hora.

Nesse momento a vaca pôs a língua para fora. O motorista sentindo-se vitorioso avisou ao caipira:

-Olha senhor, acho que sua vaca não vai agüentar por muito tempo não, já ta de língua de fora.

-É mesmo? – perguntou o caipira com tranqüilidade – Pra que lado tá a língua?

-Pra esquerda – respondeu o motorista meio confuso com a pergunta.

Ouvindo isso o caipira respondeu achando graça:

-Ora! Então encosta pra direita que ela tá pedindo ultrapassagem!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A voz

Mais uma atividade que criei para minhas aulas de musicalização infantil.

É interessante fazer com que a criança perceba a diferença de timbre que há entre vozes masculinas femininas e infantis... Para isso é possível fazer algo bem simples. Faça com que as crianças ouçam trechos de músicas cantadas por homem, mulher e criança. (evite músicas cantadas por grupos, é interessante que a criança ouça apenas uma pessoa cantando) Peça para que prestem atenção em cada trecho mas não comente nada ainda.
Terminada essa parte, pergunte às crianças se elas sabem quem cantou as músicas, (se foi um  homem, ou mulher ou criança) depois pergunte como elas sabem se não dá pra ver o rosto da pessoa que está cantando no rádio e elas assimilirão com bastante facilidade a diferença de timbres da voz humana...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

CONTOS DE FADAS E CONTOS MARAVILHOSOS

Por Veridiana Rocha



Dar vida ao imaginário, ao mundo das personificações, bruxas, fadas, príncipes e princesas: tudo que o Maravilhoso pode trazer, mostrar e reproduzir com a ajuda do leitor (geralmente voltado ao público infantil) principalmente.



Neste mundo em que a magia se mistura com o real é que surgem os Contos de Fada e os Contos Maravilhosos. O primeiro grupo é de origem celta e está baseado, a princípio, em estórias contadas oralmente ; possui como foco principal a realização pessoal (voltando-se para o lado existencial) e pode possuir ou não a presença de fadas. Já o segundo, de origem oriental, era oralizado, assim como os Contos de Fada; tinha como objetivo a realização pessoal (voltando-se para o lado material) e não possuía a presença de fadas como mediadoras da obtenção desse ideal.


Algumas características que ambos possuem em semelhança são: a aspiração, viagem, obstáculos, uma mediação e a conquista do objetivo. Além disso, apresentam os fatores estruturais que aparecem em qualquer obra literária: um narrador, um foco narrativo, a história, os personagens, o espaço físico e temporal, uma linguagem usada literariamente e um destinatário para a sua comunicação, o leitor.



Divididos entre o bem e o mal, representados por príncipes, fadas e também por monstros, lobos e bruxas apavorantes, esses contos encantam as crianças e os adultos desde a sua criação, que data da época medieval. Porém, a sua função não pára aí, pois além do entretenimento, transmitem ainda valores e costumes e ajudam a elaborar a própria vida através de situações conflitantes e fantásticas.



Segundo Bettelheim, (apud CEZARETTI, 1989: 24), todos os problemas e ansiedades infantis, como a necessidade do amor, do medo e do desamparo, da rejeição e da morte, são colocados nos contos em lugares fora do tempo e do espaço, mas muito reais para crianças. A solução geralmente é encontrada nessas histórias e quase sempre levada a um final feliz, pois elas dão pistas de como se pode construir um relacionamento satisfatório com as pessoas ao redor. Todavia, para se chegar ao final nem tudo são flores e é a partir dessa reflexão entre a fantasia, o imaginário e o real, que o leitor vai perceber que deve saber superar obstáculos, para obter essa conquista.

Selo

Foi surpreendente pra mim ganhar esse selo! Muito obrigada a todos que colaboraram para essa feliz realização!



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quarta-feira, 31 de março de 2010

As Crianças Aprendem o que Vivem

Se a criança vive com críticas,


ela aprende a condenar

Se a criança vive com hostilidade,

ela aprende a agredir

Se a criança vive com zombarias,

ela aprende a ser tímida

Se a criança vive com humilhação,

ela aprende a se sentir culpada

Se a criança vive com tolerância,

ela aprende a ser paciente

Se a criança vive com incentivo,

ela aprende a ser confiante

Se a criança vive com elogios,

ela aprende a apreciar

Se a criança vive com retidão,

ela aprende a ser justa

Se a criança vive com segurança,

ela aprende a ter fé

Se a criança vive com aprovação,

ela aprende a gostar de si mesma

Se a criança vive com aceitação e amizade,

ela aprende a encontrar amor no mundo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Como fazer leitura dinâmica


Cansou de perder tempo com textos sem fim? Com as nossas dicas, qualquer um pode ser um The Flash dos livros


por Texto Luisa Destri

1. Elimine os ruídos

Desligue a TV, coloque o computador para descansar, prenda o cachorro e esqueça o celular. Sente-se confortavelmente sob um abajur e faça estes exercícios com um texto que você já leu várias vezes, porque é importante treinar com uma informação que você domina.

2. Descubra a sua marca inicial

Cronometre um minuto no relógio e conte quantas palavras você consegue ler nesse tempo. Um leitor normal lê 150 palavras por minuto, com 60% de aproveitamento. Já um leitor dinâmico lê de 5 a 8 vezes melhor: 800 palavras, com compreensão de 80%.

3. Use os dedos

Tome cuidado para não pronunciar o que lê, mexendo a boca. Também tente evitar voltar sempre para a mesma linha do texto. Aí o jeito é acompanhar as linhas com o dedo. Agora é só acelerar e ler mais rápido. Você não vai entender nada no começo, mas seu cérebro vai ser forçado a absorver informações.

4. Visualize blocos

Com a aceleração, seu pensamento vai mudar e seus olhos aprenderão a focar em um único ponto da palavra. É aí que acontece a mágica: você não verá mais o texto como uma seqüência de letras, mas em unidades de pensamento.Para ler, você vai passar das sílabas para as palavras e das palavras para as idéias centrais do texto.

5. Troque de leitura

Vá aos poucos mudando o tipo de texto. Daquele texto que você já decorou, passe para notícias sobre celebridades, por exemplo, que são simples. Você conhecerá rapidamente as últimas bagunças de Paris Hilton – talvez até antes de ela cometer outra. Depois procure algo mais denso. Quer ter uma noção exata? É possível ler Dom Casmurro, que tem mais de 65 mil palavras, em 80 minutos.

Agora teste suas novas habilidades

Sua leitura estará dinâmica quando você absorver este texto em 24 segundos.

Fontes Alcides Shotten, diretor-executivo da Methodus, Predictores Neuropsicológicos de la Lectura em Español, artigo publicado na Revista de Neurología

segunda-feira, 29 de março de 2010

É verdade que Shakespeare...


É verdade que Shakespeare...


por Raquel Lima

...Era bi?



Shakespeare foi casado, teve 3 filhos e há indícios de um bastardo. Mas 126 sonetos românticos não podem ser coincidência: lançados há exatos 400 anos, são dedicados a um anônimo Fair Lord ("Belo Senhor"), "mestre-amante de minha paixão" (Soneto 20). Outro indício: em seu testamento, o autor ainda deixou parte da fortuna a amigos, com uma ordem estranha: eles deveriam comprar alianças para usar em sua memória.





...Não escreveu suas peças?



Como alguém sem educação superior teria vocabulário tão vasto? É o argumento da minoria para quem o bardo era diretor e ator, mas não autor. Entre os supostos ghost-writers estariam o filósofo Francis Bacon e até um nobre italiano exilado na Inglaterra fugindo da Inquisição.





...Era pobre?



Na adolescência ele pode até ter passado um período difícil. Mas logo ficou famoso e esperto nos negócios. Investia em imóveis, ações do Globe Theater e sonegava alguns impostos. Além disso, emprestava a juros altos e cobrava em dia.





...Passou anos desaparecido?



Ele sumiu entre os 21 e os 28 anos (1585-1592). Hipóteses para o sumiço: caiu na clandestinidade por caça ilegal de veado; virou marinheiro; virou monge. Mas o mais plausível é que ele já estivesse no teatro londrino, mas em funções anônimas, como valet de carruagem e contrarregra.





...Foi enterrado com obras inéditas?



É uma hipótese forte, nunca comprovada pela praga em sua lápide: "Amigo, evite, por Jesus sagrado / De cavar o pó aqui enterrado / Abençoado quem poupar estes destroços / E amaldiçoado quem mover meus ossos"

Literatura de Páscoa

É incrível como essa época do ano (páscoa) é explorada pelo comércio. Ovos de chocolate, cestas, coelhos de pelúcia, etc...

Sinto muita falta de uma literatura séria a respeito do tema Páscoa. É um desafio expor para as crianças, em linguagem clara e significativa ao universo infantil, a religiosidade que a páscoa representa que é de onde se originou...

Os símbolos como o ovo e o coelho se sobrepuseram ao real significado da data.

Para quem é ateu e não tem fé cristã ou judaica consolidada a páscoa não tem nenhum sentido e comer chocolate nessa data ou em qualquer outra é a mesma coisa...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Instrumentos Musicais e a criança

Uma das coisas que mais toca o ser humano é o som. Se é agradável causa bem estar, alegria, e as mais diversas reações emotivas... Se é desagradável causa desconforto físico e psíquico.
Uma das coisas mais encanta as crianças são os instrumentos musicais... Apresntar a elas os sons, as imagens e quando possível o instrumento "de verdade" é algo enriquecedor i nesquecível para as crianças...
Por isso criei uma atividade para que as crianças aprendam mais sobre os instrumentos enquanto cantam a música "Foi na loja do Mestre André"


1.Foi na loja do mestre André


que eu comprei um pianinho!

Plim, plim, plim, um pianinho!







Estribilho: Ai, olé! Ai, olé!

Foi na loja do mestre André (2x)



2. Foi na loja do Mestre André

que eu comprei uma flautinha!

Fi - fi - ri - fi - fim, uma flautinha!

Plim, plim, plim, um pianinho!



3. Foi na loja do Mestre André

que eu comprei um chocalhinho!

Chic, chic, chic um chocalhinho!

Plim, plim, plim, um pianinho!

Fi - fi - ri - fi - fim, uma flautinha!



4. Foi na loja do Mestre André

Que eu comprei um violino!

Nhim –nhim - nhim, um violino!

Plim, plim, plim, um pianinho!

Fi - fi - ri - fi - fim, uma flautinha!

Chic, chic, chic um chocalhinho!



5. Foi na loja do Mestre Andrë

Que eu comprei um violão

Blan, blan, blan, um violão

Plim, plim, plim, um pianinho!

Fi - fi - ri - fi - fim, uma flautinha!

Chic, chic, chic um chocalhinho!

Nhim –nhim - nhim, um violino!



6. Foi na loja do Mestre André

Que eu comprei um saxofone!

Fum , fum, fum um saxofone!

Plim, plim, plim, um pianinho!

Chic, chic, chic um chocalhinho!

Nhim –nhim - nhim, um violino!

Fi - fi - ri - fi - fim, uma flautinha!

Blan, blan, blan, um violão



Antes de cantar a música, mostro as figuras dos instrumentos e falo sobre as famílias de corda, sopro e percussão. Depois espalho as figuras pelo chão e a música é cantada na ordem em que as figuras estão colocadas, para evitar que as crianças se confundam.
O retorno dessa atividade é muito bom e as crianças aprendem cantando e brincando.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Educativos

Sendo eu uma educadora, não poderia deixar de postar artigos com temas educativos e sobre educação... Vou falar nesses posts principalmente sobre o tema do meu trabalho na educação: Musicalização Infantil...

A habilidade para a música é considerada por muitos pedagogos – entre eles o norte-americano Howard Gardner, autor do livro Inteligências Múltiplas – como uma forma de inteligência tão importante para nós quanto a habilidade lógico-matemática ou lingüística. E essa inteligência auxiliaria, inclusive, outros tipos de raciocínio. Há alguns anos, por exemplo, os cientistas debatem o chamado “Efeito Mozart”. Trata-se de uma prova de que crianças ficam mais “espertas” para cálculos depois de escutar a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, do compositor austríaco.
O poder da música para a concentração e para a manipulação das emoções humanas não está apenas despertando o interesse dos músicos e dos estudiosos da música. “Psicólogos, produtores de filme e, claro, políticos, também estão se interessando por esses novos campos.

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